Dezembro 16, 2015

A Esperança na praxis do Cuidar em (In) Fertilidade

A Esperança na praxis do Cuidar em (In) Fertilidade

Numa sociedade que valoriza, principalmente, o desenvolvimento material, económico e profissional tendo como resultado uma mudança de paradigma dos valores pessoais e sociais, urgem virtudes humanas fundamentais na confrontação das dificuldades diárias.

A temática do presente artigo incide sobre a Esperança enquanto virtude humana essencial na práxis do cuidar em (In) Fertilidade.

A (In)fertilidade representa uma “crise” com consequências físicas, psíquicas, emocionais e sócio culturais para todo o casal conduzindo a sentimentos de raiva, ansiedade, frustração, dor e revolta (Barros, 2000; Cunha, 2012; Ricardo & Okazani, 2010; Silva et al, 2012).

Desta forma e para que os profissionais de saúde que exercem funções nesta área sejam capazes de lidar diariamente com esta realidade, é fundamental recorrer a recursos humanos fidedignos, acessíveis e recorríveis como seja a Esperança.

A esperança é uma virtude e uma necessidade espiritual por ser um requisito ontológico do Homem. Ninguém faria nada se não tivesse a esperança de o concretizar eficazmente. Sem esperança, o Homem viveria em completa inércia e não seria capaz de encontrar o sentido para a vida (Oliveira, 2003).

A esperança corresponde a um processo em que as pessoas perseguem ativamente os seus objetivos sendo composta por três elementos: objetivos, meios e agência. No comportamento humano, os meios de pensamento permitem que a pessoa percecione a sua capacidade para produzir caminhos produtivos; a agência reflete-se nos pensamentos que as pessoas dispõem para começar e continuar os meios selecionados para o culminar dos objetivos; e os objetivos pretendidos são o motor de todo o processo e justificam o porquê do trajeto refletido na essência e particularidade de cada pessoa. Todos estes elementos funcionam num só e influenciam-se reciprocamente (Snyder, 1994).

Os benefícios desta virtude humana são diversos, nomeadamente: i) as pessoas com elevada esperança em comparação com as de menor esperança empenham-se mais em atividades saudáveis, como seja a prática de exercício físico; ii) o estado de saúde físico melhorado está associado a níveis elevados de esperança e que conduzem a um ajustamento psicológico; iii) a elevada esperança está correlacionada, positivamente, com uma performance académica e atlética melhorada (Snyder, Feldman, Shorey & Rand, 2002).

Na área da saúde psicológica, Snyder e colaboradores (2002) assinalam ainda que a presença da esperança também tem os seus benefícios. Referem que a elevada esperança se correlaciona positivamente com as emoções positivas e negativamente com as emoções negativas; e que a elevada esperança se interliga com um bom ajustamento psicológico porque a pessoa com elevada esperança consegue apoiar-se no benefício do feedback de qualquer experiência, para aprender e evoluir e não recair em ruminações.

Também na saúde física, esta virtude humana parece ter repercussões importantes, inclusivamente quer na prevenção primária, atitudes proativas para evitar que a doença apareça e assim na redução dos riscos de saúde, quer na prevenção secundária das doenças, medidas acionadas quando a doença esteve presente e se pretende evitar uma recaída (Snyder, 2009).

Dada a complexidade subjacente à praxis do cuidar em (in) fertilidade e simultaneamente à capacidade que o profissional tem que transparecer de liderança, empatia, comunicação e sensibilidade junto dos casais, a Esperança revela-se uma ferramenta crucial na sua diária profissional.

Não só a Esperança se revela como fundamental como inere carácter acessível e recorrível para qualquer profissional de saúde. Todos nós necessitamos de Esperança para a prática de um cuidar mais personalizado e humano!

Artigo escrito pela Enf. Joana Freitas

IVI Faro

 

Referências Bibliográficas:

Barros, S.M.O. (2000). A Enfermagem e a Reprodução Humana. Acta Paul Enf, 13(1): 207-213.

Cunha, C.F. (2012). Vivências de um casal infértil. (Tese de Mestrado). Ponte de Lima: Universidade Fernando Pessoa.

Oliveira, J.B. (2003). Esperança: Natureza e avaliação (proposta de uma nova escala). Psicologia, Educação e Cultura, 7(1): 83-106.

Ricardo, A.T. & Okazaki, E. L. E. J. (2010). Atuação do Enfermeiro em Reprodução assistida. Rev Enferm UNISA, 11(1): 38-42.

Silva, I.R.V.; Ferreira, A.M.N.S.; Brito, M.A.F.; Dias, N.M.B. & Henriques, C.M.G. (2012). As vivências da mulher infértil. Revista de Enfermagem Referência, III(8): 181-189.

Snyder, C.R.; Feldman, D.B.; Shorey, H.S. & Rand, K.L.(2002). Hopeful choices: A school counselor´s guide to hope theory. Professional School Counseling, 5(5): 298-308.

Snyder, C.R. (1994). The psychology of hope: You can get there from here. New York: Free Press.

Snyder, C.R. (2009). Hope theory: Rainbows in the Mind. Psychological Inquiry: An

international journal of advancement of psychological theory, 13(4): 249-275. doi:

10.1207/S15327965PLI1304 01

 

 

 

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