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Ter cancro já não significa renunciar ao sonho de ter um bebé vitrificação

Fevereiro 4, 2014

Vitrificação, preservação fertilidade

O pensamento inicial e imediato ao receber um diagnóstico de cancro é, irei curar-me?, poderei continuar a trabalhar?, Terei uma vida normal?… e também, e cada vez mais, poderei ter um bebé depois do tratamento de quimio e radioterapia? Para responder a todas estas dúvidas e medos é importante que o paciente receba a melhor, mais completa, clara e acessível informação sobre a doença, a terapia e as suas consequências. “É necessário fazer um esforço informativo grande para que se conheçam todas as opções que existem para não renunciar ao sonho de ter um bebé depois de superar o cancro. Lamentavelmente, encontramos pessoas jovens que não preservaram (vitrificão) os seus gâmetas (células reprodutivas – óvulos nas mulheres e espermatozoides nos homens) por falta de informação”, afirma o diretor do IVI Lisboa, Sérgio Soares. “Dar o passo de preservar os gâmetas numa clínica de fertilidade para uma pessoa jovem que nunca tinha estado doente e de repente, lhe comunicam algo tão duro como a deteção de um tumor, ajuda a ver a doença como algo transitório e com um final feliz”, comenta a psicóloga do IVI Lisboa, Filipa Santos. O estudo psicológico – Infertility and cancer in young woman. Psychological features – realizado pelo IVI a 40 mulheres a quem foi diagnosticado um cancro, em idade reprodutiva e no momento prévio ao tratamento de quimio e radioterapia, revelou que o grau de preocupação das pacientes com a doença decresceu no momento em que são submetidas ao procedimento de preservação de fertilidade. “O que só por si já constitui um bom motivo para o fazer”, comenta a psicóloga. No estudo podemos ainda observar que 75% das mulheres que se submeteram à preservação do ovário fizeram-no com a finalidade de serem mães no futuro. Ainda que, também se tenha detetado a necessidade de muitas delas recuperarem a sua função hormonal. “Nem sempre é fácil pensar no futuro quando é diagnosticado o cancro, mas no IVI Lisboa relembramos que 7 em cada 10 pacientes superam a doença, e que é importante solicitar informação ao médico oncologista sobre a possibilidade de preservar a fertilidade, e se estiver indicado o procedimento, consultar os tratamentos disponíveis junto dos especialistas do IVI Lisboa”, reforça o diretor do IVI Lisboa. O que se deve fazer para preservar a fertilidade? No caso dos homens, a opção mais adequada para terem a possibilidade de serem pais depois do cancro é congelar amostras de sémen antes de iniciar o tratamento oncológico. Em que consiste a vitrificação de óvulos ou embriões? Às mulheres que desejem preservar a fertilidade recomenda-se a criopreservação de óvulos, embriões ou tecido ovárico. Nos dois primeiros casos, inicialmente procede-se à estimulação ovárica, extraem-se os óvulos maduros que serão guardados por vitrificação ou inseminados para que se guardem os embriões. Quando superado o cancro, se não há fertilidade espontânea, pode-se tentar engravidar através de um tratamento de procriação medicamente assistida. A equipa do IVI reforça a necessidade de sensibilização e informação dos médicos oncologistas para a possibilidade de preservar a fertilidade dos seus pacientes, apesar de não ser uma garantia de uma gravidez, é certamente um recurso a utilizar se os pacientes ficarem inférteis depois dos tratamentos oncológicos.

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